Prensa dos Oprimidos
Desde o seu surgimento, a imprensa como ferramenta de comunicação era instrumentalizada de formas diversas por grupos distintos dentro de uma mesma sociedade. No início do século XX, a sociedade pernambucana era marcada por uma série de conflitos de classe, que eram reproduzidos nas páginas de jornais.
No início do século XX, Pernambuco era palco de ferozes lutas políticas e do surgimento de movimentos sociais classistas. Dentre estes movimentos destacamos os sindicatos de trabalhadores e as agremiações políticas de caráter progressista, que lutavam principalmente pela defesa dos direitos da nova classe social que se instalava na sociedade brasileira: os operários, artífices da imprensa operária pernambucana, que viria a ser uma ferramenta inestimável na luta ideológica pelos direitos dos trabalhadores.
Vistas como uma ameaça aos interesses das classes mais abastadas da sociedade, beneficiárias diretas da injustiça, as publicações eram alvo frequente de perseguição. O fechamento repentino de redações e prisões de redatores era uma ocorrência comum, o que forçava alguns grupos a produzirem seus jornais na clandestinidade. Apesar do cenário hostil, a imprensa operária pernambucana continuou em sua luta, desempenhando um papel importantíssimo na organização operária. O jornal operário além de instigador de consciência era um front de resistência contra as injustiças e a opressão.
O artigo “Aposenta teu grilhão, patrão: o movimento sindical na imprensa pernambucana (1900 – 1930)” aborda o assunto de forma panorâmica.