O Eclipse da Escravidão
e o Proletário

Na virada do século XIX para o XX, a mão-de-obra escrava foi substituída pela assalariada e livre. No entanto, neste momento, a mentalidade e as práticas nas relações de trabalho escravistas estavam ainda muito vivas, de modo que, neste momento inicial, o trabalhador livre era nada mais que um escravo atualizado para o mundo industrial moderno.

O Governo, tanto Federal quanto local, frequentemente deportava de personas non gratas do movimento operário com intuito de intimidar
Famílias inteiras eram empregadas pelas fábricas de modo a tornar a relação entre empregado e empregador um vínculo de subserviência que se estenderia por gerações (Biblioteca Nacional, RJ)

Ambos os sistemas de prestação de serviço eram baseados em uma relação desigual de dependência econômica dos trabalhadores em relação aos empregadores. Na situação do trabalho proletário, apesar do rompimento da relação escravo-senhor, o controle era exercido pela falta de alternativas de ocupação e a concentração do poderio econômico nas mãos de umas poucas pessoas, num cenário em que o trabalhador escolheria entre uma miséria pouco assistida ou a total miséria.

Como reforço de nosso argumento , invocaremos um paralelo entre as senzalas e as vilas operárias: as infames senzalas eram normalmente compostas por uma grande construção comum a todos os escravos ou em habitações menores agrupadas em um único terreno. As habitações eram dispostas de uma forma que facilitava a vigilância direta dos capatazes da fazenda.

Já as vilas operárias, como descritas por Sérgio Buarque de Holanda, eram comunidades formadas por e para trabalhadores urbanos do período. Tudo nessas vilas, das saídas controladas aos estabelecimentos comerciais inseridos, era pensado sob o viés do controle moral e higienização. Segundo Foucalt, o poder é exercido sobre os corpos e suas ações, moldando os mesmos em processos de controle, por meio de mecanismos exploratórios e disciplinantes presentes de formas diversas.

Ambos os sistemas de prestação de serviço eram baseados em uma relação desigual de dependência econômica dos trabalhadores em relação aos empregadores. Na situação do trabalho proletário, apesar do rompimento da relação escravo-senhor, o controle era exercido pela falta de alternativas de ocupação e a concentração do poderio econômico nas mãos de umas poucas pessoas, num cenário em que o trabalhador escolheria entre uma miséria pouco assistida ou a total miséria.

Como reforço de nosso argumento , invocaremos um paralelo entre as senzalas e as vilas operárias: as infames senzalas eram normalmente compostas por uma grande construção comum a todos os escravos ou em habitações menores agrupadas em um único terreno. As habitações eram dispostas de uma forma que facilitava a vigilância direta dos capatazes da fazenda.

Já as vilas operárias, como descritas por Sérgio Buarque de Holanda, eram comunidades formadas por e para trabalhadores urbanos do período. Tudo nessas vilas, das saídas controladas aos estabelecimentos comerciais inseridos, era pensado sob o viés do controle moral e higienização. Segundo Foucalt, o poder é exercido sobre os corpos e suas ações, moldando os mesmos em processos de controle, por meio de mecanismos exploratórios e disciplinantes presentes de formas diversas.
O Governo, tanto Federal quanto local, frequentemente deportava de personas non gratas do movimento operário com intuito de intimidar
Quando a simples coerção da força de trabalho era insuficiente, as elites locais apelavam para o governo que, sob o pretexto da manutenção da ordem, promovia sumárias expulsões de pessoas ditas “subversivas” (Museu de Arte de São Paulo, SP)
O artigo “Vilas Operárias: senzalas da eugenia em Pernambuco” se debruça com mais detalhes sobre o assunto.